Quando uma associação decide olhar para o futuro

O que a nova fase da ABMN revela sobre liderança, inovação e a necessidade de manter os fundamentos em um mercado que se transforma diariamente.

A cerimônia do 51º Prêmio Marketing Contemporâneo reuniu no dia 11 de junho no auditório da Fecomércio RJ mais de 250 profissionais entre executivos, anunciantes, agências, veículos de comunicação e lideranças do mercado. Realizado pela Associação Brasileira de Marketing & Negócios (ABMN), o encontro reconheceu alguns dos principais cases de marketing do país e marcou oficialmente o início das celebrações dos 55 anos da entidade.

Além da premiação dos projetos vencedores, a noite também serviu para apresentar uma nova fase da Associação, com o lançamento de seu novo posicionamento institucional, nova identidade visual, novo website e a publicação do Código de Ética da ABMN. Durante a abertura do evento, o presidente da entidade, Bruno Biondo, destacou a importância da mobilização coletiva para fortalecer o setor.

Bruno Biondo, Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios (ABMN) na cerimônia do 51º Prêmio de Marketing Contemporâneo – Foto André Teles / Divulgação ABMN

“Quero começar agradecendo à Record News, à Fecomércio RJ, ao Senac RJ e aos nossos mantenedores, que são parceiros fundamentais e tornam possível a realização de iniciativas como esta. Também agradeço a todos que estiveram conosco e acreditam na força do marketing brasileiro. Temos muito a evoluir, e o mais importante é justamente reunir o mercado, fortalecer conexões e impulsionar essa retomada.”

A fala ajuda a explicar por que a cerimônia chamou minha atenção. Mais do que celebrar campanhas ou reconhecer profissionais, o evento pareceu assumir uma missão maior: discutir o futuro do marketing brasileiro sem perder de vista aquilo que sustenta a atividade desde sempre. Porque o marketing mudou e continuará mudando e talvez pareça uma frase óbvia para quem trabalha com comunicação, publicidade, tecnologia ou negócios. Mas nem sempre as instituições que representam esses setores conseguem acompanhar a velocidade dessas transformações.

Foi por isso que uma outra frase dita por Bruno Biondo, presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios (ABMN), durante a cerimônia do 51º Prêmio Marketing Contemporâneo me chamou atenção.

“O marketing continuará mudando, e queremos acompanhar e impulsionar essa transformação sem perder de vista o que realmente importa: entender as pessoas, criar valor, fortalecer marcas e gerar negócios.”

Existe algo de muito poderoso nessa declaração, porque ela fala sobre futuro sem abandonar seus fundamentos. Em um momento em que inteligência artificial, automação, creator economy, retail media, comunidades digitais e novas plataformas disputam atenção diariamente, é fácil cair na armadilha de acreditar que marketing é apenas acompanhar tendências. Mas as melhores transformações acontecem quando a inovação se conecta aos princípios que sempre sustentaram a atividade: compreender comportamentos, construir relevância, gerar valor e criar relacionamentos duradouros.

É justamente por isso que as associações de classe continuam sendo tão importantes. Muito além de premiações, elas exercem um papel fundamental de organização do setor, produção de conhecimento, articulação institucional e atualização permanente dos profissionais que atuam no mercado. Quando uma entidade lança um novo posicionamento, cria um Código de Ética, atualiza sua identidade, amplia suas conexões e se aproxima de novas agendas, ela está enviando um sinal para todo o mercado. O sinal de que não basta preservar a história, é também preciso construir relevância para o futuro.

Três trabalhos com maiores pontuações receberam o troféu Grand Prix: Caixa Econômica Federal e Binder Comunicação pelo case “A Primeira Campanha Interativa de Loterias do Brasil” – Foto André Telles / Divulgação ABMN

Nesse sentido, chama atenção a formação da atual liderança da ABMN. De um lado, Bruno Biondo, Diretor Comercial RJ da Eletromidia, empresa que ajudou a transformar o out of home em uma das mídias mais inovadoras e criativas da atualidade. De outro, Fátima Rendeiro, consultora de mídia e inovação, recém-contratada pela ABMN, e uma profissional reconhecida por sua capacidade de conectar mercados, antecipar tendências e criar pontes entre diferentes ecossistemas.

Nenhuma dessas escolhas parece aleatória, porque ambos carregam uma característica que considero essencial para qualquer liderança contemporânea: a capacidade de sair da própria bolha. Os profissionais que mais contribuem para o desenvolvimento de um setor raramente estão olhando apenas para dentro dele. Eles observam tecnologia, comportamento, inovação, cidades, empreendedorismo, cultura, sustentabilidade e transformação digital. Entendem que as grandes mudanças normalmente acontecem nos cruzamentos entre diferentes áreas.

Talvez seja justamente por isso que vejo com bons olhos esse novo momento da Associação, porque o futuro do marketing não será construído apenas por quem fala de marketing. Será construído por quem consegue traduzir transformações, conectar pessoas, aproximar mercados e ajudar profissionais a navegar em um cenário cada vez mais complexo.

No fim das contas, a fala de Bruno resume bem esse desafio: as ferramentas mudam, as plataformas mudam, os formatos mudam, mas tudo continua sendo sobre pessoas. E talvez essa seja a inovação mais importante que uma entidade pode preservar.

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