Niterói aposta na Economia do Mar para conectar inovação, indústria e desenvolvimento urbano
Terceira edição do Tomorrow.Blue Economy ocupará a nova Arena Niterói e reforça o papel da cidade como um dos principais polos brasileiros para negócios ligados ao oceano. / Foto: Divulgação / iCities
A economia do mar deixou de ser uma discussão restrita aos setores portuário e naval. Cada vez mais, ela envolve tecnologia, sustentabilidade, pesquisa, energia, turismo, logística, regulação, financiamento e novos modelos de negócios capazes de transformar a relação das cidades com seus territórios costeiros. Foi com essa visão que Niterói recebeu, na noite da última quinta-feira, 11 de junho, o lançamento oficial da terceira edição do Tomorrow.Blue Economy Niterói. O encontro aconteceu no Espaço Cultural Sala Carlos Couto, no Centro da cidade, e reuniu autoridades públicas, instituições, representantes da academia, lideranças do setor produtivo e players estratégicos da economia azul.

A edição principal do evento está marcada para os dias 25 e 26 de novembro, na Arena Niterói, novo equipamento urbano da cidade. A mudança de local simboliza também a evolução do próprio encontro. Depois de consolidar suas primeiras edições no Caminho Niemeyer, o Tomorrow.Blue Economy passa a ocupar um novo espaço estratégico, ampliando sua capacidade de conexão com negócios, inovação e desenvolvimento econômico.

“Niterói tem uma relação muito próxima com a economia do mar. Essa é uma relação que nasce com a própria cidade”, afirmou Felipe Peixoto, secretário executivo da Prefeitura de Niterói, durante a abertura do evento. Segundo ele, essa vocação aparece em diferentes camadas da história e da economia local: das colônias de pesca à indústria naval, dos esportes náuticos ao turismo, da gastronomia ao setor offshore. “É aqui em Niterói que nós temos o berço da indústria naval brasileira”, reforçou, lembrando a importância histórica do Estaleiro Mauá para a industrialização do país.
A ESCOLHA DE NITERÓI NÃO ACONTECE POR ACASO
Com forte tradição naval, presença de centros de pesquisa, clubes náuticos, competições esportivas ligadas à vela, relação direta com a Baía de Guanabara e proximidade com cadeias produtivas estratégicas, a cidade reúne características que a colocam em posição relevante dentro das discussões sobre economia azul no Brasil.
Durante o lançamento, uma das mensagens centrais foi a importância da colaboração entre academia, empresas e poder público para acelerar soluções capazes de gerar impacto econômico e social. O painel “Segurança Jurídica e Financiamento da Inovação: Como o Planejamento Espacial Marinho e a Regulação Destravam o Capital na Economia Azul” discutiu justamente como a governança coordenada pode se tornar infraestrutura institucional para aproximar quem opera, quem regula e quem financia o setor. A discussão passou por temas como Planejamento Espacial Marinho, marcos regulatórios, segurança jurídica, financiamento da inovação e criação de condições para que projetos ligados ao litoral brasileiro avancem com mais previsibilidade.
Mas os ecossistemas mais maduros já trabalham com uma visão ainda mais ampla. Além da academia, do setor privado e do poder público, tornam-se fundamentais também a presença das startups e dos investidores. As startups exercem um papel estratégico ao transformar desafios complexos em soluções escaláveis. Muitas nascem dentro das universidades, outras surgem da experiência prática de empreendedores, mas todas compartilham a capacidade de experimentar, validar e responder rapidamente às demandas do mercado. Os investidores, por sua vez, ajudam a transformar potencial em crescimento. Sejam fundos, empresas, family offices, grandes companhias ou mecanismos públicos de fomento, eles viabilizam a jornada que leva uma inovação do estágio de pesquisa para a geração efetiva de valor econômico.
Nesse contexto, eventos como o Tomorrow.Blue Economy cumprem uma função que vai além do conteúdo apresentado nos palcos, porque eles criam ambientes de encontro entre pessoas que dificilmente estariam reunidas no mesmo espaço em circunstâncias normais. São nesses ambientes que pesquisadores encontram empreendedores, que empresas apresentam desafios reais para startups, que gestores públicos identificam soluções para problemas urbanos e que investidores descobrem oportunidades de negócio.

Para Caio de Castro, CEO do iCities, o objetivo é justamente transformar o evento em uma plataforma de desenvolvimento de médio e longo prazo. “A gente não olha para eventos pensando no curto prazo, como um evento por um evento, mas realmente como um projeto de desenvolvimento”, afirmou. Ele citou a experiência do Smart City Expo Curitiba como referência para o modelo que o iCities pretende fortalecer em Niterói. Segundo Caio, a proposta é que o Tomorrow.Blue Economy ajude a impulsionar o mercado da economia azul e gere desdobramentos concretos para a economia local. “O ponto final é fazer o evento aqui, falar sobre o tema, e esse tema realmente vir a campo para o desenvolvimento da economia local”, disse.
A terceira edição também marca uma nova fase do encontro, depois de dois anos dedicados a explicar o conceito de economia azul e sensibilizar diferentes públicos sobre sua importância, a edição de 2026 terá foco mais direto em negócios, indústria, regulação, financiamento e conexão entre empresas, instituições e projetos, uma inspiração internacional que reforça essa estratégia. O Tomorrow.Blue Economy Niterói é organizado pelo iCities Events, em parceria com a Prefeitura de Niterói, e conta com a chancela da Fira Barcelona. A conexão com Barcelona é relevante não apenas pela dimensão internacional, mas também pela trajetória da cidade espanhola como referência em inovação urbana, grandes eventos, desenvolvimento territorial e relação estratégica com o mar.

A comparação é especialmente interessante porque cidades costeiras compartilham desafios e oportunidades semelhantes e cada ecossistema pode se tornar benchmark para outro em alguma categoria. Em um cenário em que conhecimento, tecnologia e capital circulam em velocidade crescente, a inovação ganha força justamente quando consegue criar pontes entre territórios, setores e agentes diferentes. Nesse sentido, o Tomorrow.Blue Economy representa mais do que uma conferência setorial, reforçando uma discussão estratégica sobre o futuro de Niterói e sobre como cidades costeiras podem transformar suas vocações históricas em oportunidades para uma nova economia baseada em inovação, sustentabilidade, colaboração e negócios.
Ao ocupar a nova Arena Niterói, o evento também amplia seu simbolismo urbano, onde a cidade passa a conectar um novo equipamento público a uma agenda de futuro, colocando a economia do mar no centro de uma conversa que envolve indústria, ciência, tecnologia, capital e desenvolvimento territorial. É perceptível que Niterói começa a consolidar uma agenda em que o mar é visto como infraestrutura econômica, identidade cultural, ativo ambiental e plataforma de inovação.
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