Por trás de um grande evento existe uma curadoria que nunca para
Responsável pelos palcos Open Innovation do Rio Innovation Week, Yamara Alfradique explica porque a verdadeira curadoria não está apenas na escolha dos palestrantes, mas na capacidade de criar encontros que continuem gerando valor muito depois do encerramento do evento.
Quem chega ao Rio Innovation Week normalmente enxerga apenas o que acontece sobre o palco: os debates, os palestrantes, as ativações, as grandes marcas, as filas. A movimentação de milhares de pessoas pelos armazéns do Pier Mauá. O que quase ninguém vê é que boa parte dessas conversas começou meses antes da abertura dos portões. Existem os bastidores de pesquisa, relacionamento, observação e construção de conexões que determinam quem divide o mesmo palco, quais temas dialogam entre si e, principalmente, quais encontros podem continuar produzindo resultados quando o evento termina.
É justamente essa arquitetura que ocupa o dia a dia de Yamara Alfradique, Head de Relacionamento B2B Open Innovation da Sai do Papel e curadora dos palcos Open Innovation do Rio Innovation Week há cinco edições: “O trabalho do curador nunca para”, essa frase resume uma função que vai muito além de selecionar palestrantes. Para Yamara, a curadoria é um processo contínuo de observar pessoas, identificar tendências e conectar perspectivas capazes de produzir conversas relevantes.

Ao longo dos anos, a própria maneira como Yamara monta os painéis mudou. Se antes a lógica era reunir profissionais com cargos semelhantes ou trajetórias parecidas, hoje ela busca justamente o contrário. Empresas consolidadas dividem espaço com startups. Especialistas conversam com empreendedores. Pesquisadores encontram executivos. Visões complementares e, muitas vezes, divergentes, passam a fazer parte da mesma mesa. Segundo ela, é dessa diversidade que surgem as melhores discussões.
“O painel fica muito mais rico quando você coloca pessoas diferentes na mesma conversa.”
Essa mudança também alterou o formato dos debates, os slides deixaram de ser prioridade. O protagonismo passou para o diálogo: “O público quer troca. Quer reflexão.” É uma mudança que acompanha a própria evolução dos eventos de inovação, onde a cada ano percebemos que o conhecimento continua sendo importante, mas já não basta transmitir informação. É preciso provocar novas perguntas.
O melhor painel nem sempre é aquele em que todos concordam e essa lógica aparece de forma clara na programação deste ano. Em vez de apresentar apenas casos de sucesso sobre inteligência artificial, Yamara decidiu construir painéis que colocam diferentes visões em diálogo. “Quis trazer os prós e os contras em várias áreas.” Comunicação, marketing, liderança, inovação, criatividade e transformação digital aparecem sob diferentes perspectivas, muitas vezes conflitantes, a intenção não é criar polêmica, mas sim ampliar repertório. “Esse contraponto vai mexer muito com a cabeça das pessoas.” A mesma lógica aparece em temas como neurociência, diversidade e construção de autoridade, formando uma programação que busca menos respostas prontas e mais capacidade crítica.
EVENTOS NÃO GERAM APENAS CONTEÚDO
Ao falar sobre os resultados mais marcantes da curadoria, Yamara não cita uma palestra específica, ela lembra das conexões que continuam existindo meses depois do evento. “Tem gente que fechou parceria. Tem gente que virou amigo. Tem gente que continua fazendo negócios até hoje.” Essa talvez seja uma das ideias mais interessantes da conversa, porque para ela, um grande evento não termina quando o último painel acaba, ele continua nas mensagens trocadas depois, nos cafés marcados semanas mais tarde, nas empresas que passam a trabalhar juntas e nas comunidades que permanecem ativas.

Por isso, ela acompanha muitos palestrantes mesmo depois do encerramento do Rio Innovation Week, comenta publicações, mantém contato e continua observando novas trajetórias. A curadoria, afinal, nunca termina.
Ao longo da conversa, outro tema apareceu diversas vezes: a forma como as pessoas participam de eventos e para Yamara, tentar assistir a tudo é um erro comum. Em uma programação com centenas de painéis, a melhor estratégia é definir objetivos antes mesmo de chegar ao Pier Mauá: escolher trilhas, entender quais conexões deseja construir, reservar tempo para circular e estar aberto às conversas espontâneas. Muitas vezes, lembra ela, os encontros mais importantes acontecem fora dos auditórios, no lounge, na fila do café. Em uma apresentação feita por alguém que, até então, era apenas um nome na programação.
É justamente essa capacidade de transformar encontros casuais em oportunidades concretas que ajuda a explicar por que o Rio Innovation Week se consolidou como um dos maiores eventos de inovação do mundo.
A INTELIGÊNCIA POR TRÁS DO PALCO
Quando o público ocupa as cadeiras e os debates começam, a maior parte do trabalho da curadoria já aconteceu, Mas, paradoxalmente, talvez seja ali que outro trabalho comece: o de acompanhar as conexões que nasceram daqueles encontros. As empresas que passaram a conversar, os profissionais que ampliaram suas redes e as ideias que ganharam novos formatos.
Talvez seja justamente esse o principal aprendizado da conversa com Yamara Alfradique. Bons eventos não são feitos apenas de grandes palestrantes, eles são resultado de uma curadoria cuidadosa, capaz de transformar especialistas em conversas e conversas em conexões que continuam produzindo impacto muito depois do encerramento do evento.
A AGENDA DO THE BUILDERS RIO NO RIO INNOVATION WEEK
A participação do The Builders Rio nos palcos Open Innovation também nasce desse olhar sobre curadoria. Convidado inicialmente para mediar o painel “Comunicação Inteligente: IA, Dados e o Futuro das Marcas”, eu passei a contribuir com a construção de outras conversas da programação, sugerindo temas, conexões e formatos que deram origem a mais quatro painéis da edição deste ano, dois deles que eu também vou mediar. O resultado é uma participação que acompanha diferentes discussões do evento: da transformação da comunicação pela inteligência artificial às novas formas de construir carreiras e aos desafios das cidades inteligentes.
04 de agosto | 11h30 – Comunicação Inteligente: IA, Dados e o Futuro das Marcas
Palco Open Innovation – Armazém 5
Como a inteligência artificial está transformando a comunicação corporativa, o marketing e o relacionamento entre marcas e públicos? O painel reúne diferentes perspectivas para discutir como dados, automação e criatividade podem fortalecer conexões mais humanas.
Convidados: Marcos Facó (FGV), Rodrigo Terra (Monking) e Marco Sinatura (ID\TBWA).

06 de agosto | 11h30 – Inovar a Própria Carreira: navegando oportunidades em um mundo sem roteiros prontos
Palco Open Innovation B – Armazém 5
A inovação não acontece apenas dentro das empresas. O painel discute como reinventar trajetórias profissionais, desenvolver novas competências e transformar mudanças em oportunidades em um mercado cada vez mais dinâmico e imprevisível.
Convidadas: Francine Tavares (Dobra), Karina Lima (AWS) e Taiana Jung (Logos Consultoria).

07 de agosto | 18h30 – Cidades Inteligentes e o Exercício do Futuro
Palco Open Innovation B – Armazém 5
Como desenhamos cidades capazes de responder aos desafios das próximas décadas? A conversa reúne especialistas para discutir planejamento urbano, inovação, políticas públicas, participação cidadã e construção de futuros desejáveis.
Convidados: Jean Vogel (HUB Cidades), Beto Marcelino (iCities) e Paulo Escrivano (Escrivano Studio de Futuros).

Ao longo de toda a semana, o The Builders Rio fará uma cobertura especial do Rio Innovation Week com entrevistas, bastidores e análises que ampliam as discussões iniciadas nos palcos. Porque, assim como defende Yamara Alfradique, as melhores conversas não terminam quando o painel acaba. Elas continuam produzindo conexões, ideias e oportunidades muito depois do encerramento do evento.
