Relatório do Startup Genome levanta uma questão: como transformar ativos corporativos, científicos e criativos em escala para startups?

Startup Genome: Rio é o 6º ecossistema da América Latina, mas ainda busca uma “tese própria”

Relatório do Startup Genome reforça o Rio como segundo ecossistema brasileiro, mas levanta uma questão estrutural: como transformar ativos corporativos, científicos e criativos em escala para startups? / Foto: Mike Swigunski (Unsplash

O Rio de Janeiro apareceu na 6ª posição entre os principais ecossistemas de startups da América Latina no Global Startup Ecosystem Report 2026, estudo anual do Startup Genome anunciado nesta semana durante o VivaTech, em Paris. O relatório analisou dados de 5,5 milhões de startups em mais de 350 ecossistemas globais e foi apresentado no evento francês, considerado um dos principais palcos de tecnologia e inovação da Europa.

Com o resultado, o Rio se mantém como o segundo ecossistema brasileiro mais bem posicionado na região, atrás apenas de São Paulo, que lidera a América Latina e aparece como único polo latino-americano no Top 40 global. No ranking regional, fica à frente de Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Monterrey, Lima, Recife e Florianópolis. Na comparação com os demais polos latinos, o Rio é superado por Cidade do México, Santiago/Valparaíso, Bogotá e Buenos Aires.

O dado reforça uma tendência que já havia aparecido em outro estudo global. Em maio, análise publicada pela The Builders a partir do Index 2026 da StartupBlink, mostrou o Rio de Janeiro na 138ª posição mundial, com crescimento de 19,8%. A leitura dos dois rankings mostra que o principal desafio do ecossistema carioca não é apenas aparecer bem posicionado, mas transformar sua posição em uma tese mais clara de crescimento.

O ecossistema carioca costuma aparecer mais quando comparado a São Paulo do que por uma ‘tese’ autônoma, uma vocação. São Paulo concentra capital, fundos, grandes rodadas, unicórnios e exits. O Rio, por sua vez, precisa mostrar onde pode ser mais competitivo — e não apenas onde ocupa a segunda posição nacional: energia e transição energética; clima e sustentabilidade; saúde e biotecnologia; economia criativa e mídia; deeptechs e IA aplicada.

Confira o relatório completo aqui

O relatório do Startup Genome reforça que, na nova fase da competição entre ecossistemas, é preciso coordenar capital, talento, políticas públicas, grandes empresas e posicionamento global em torno de tecnologias e setores estratégicos. A edição 2026 do GSER amplia o peso da inteligência artificial como fator competitivo, ao expandir o componente AI-Native também para ecossistemas emergentes.

No fim, a provocação é parecida com a de outros ecossistemas brasileiros fora de São Paulo: o desafio é transformar densidade em foco, capital, mercado e escala. No caso do Rio, isso significa usar seus ativos globais para formar startups reconhecidas por uma tese própria de inovação.

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